Anualmente, os indicadores econômicos relacionados ao mercado fitness apontam para um cenário promissor para o crescimento do setor. No Brasil, o segmento apresenta uma receita anual de US$2 milhões, resultado da atividade de mais de 34 mil academias e mais de nove milhões de clientes, de acordo com dados da The Global Health and Fitness Association. Porém, os números favoráveis não se refletem em consenso quanto a um modelo de negócios que possa atender ao mercado fitness.
Em seu trabalho de mestrado na EEFE-USP, Leandro Boaventura, orientado pela Profa. Dra. Flávia da Cunha Bastos, buscou estruturar um modelo teórico de negócios aplicável à realidade brasileira no segmento. Além do levantamento teórico, a pesquisa aplicou o método Delphi, que se baseia na opinião de especialistas para a tomada de decisão. Desta forma, gestores de academias expressaram suas opiniões por meio de um conjunto de questionários que abordavam tópicos relacionados a modelos de negócios, como segmentos de clientes, fontes de receitas, relacionamento com clientes, dentre outros.
Estudo aplicou o método Delphi, que se baseia na opinião de especialistas para a tomada de decisão. Fonte da imagem
O pesquisador utilizou também a classificação de tipos de academias estabelecidos pela Associação de Academias do Brasil (ACAD), sendo esses: Low cost - academias com alto investimento na comunicação e no crescimento em escala; Studio - academias voltadas para nichos e públicos específicos; High end - academias com múltiplas atividades e que buscam grande amplitude de público; Middle Market - academias de bairro que buscam uma clientela local; Digital - utilização da internet e mobile como recurso para funcionamento e Butique - academias de luxo voltadas para um público disposto a pagar mais caro.
A partir dos resultados obtidos, foi estruturado um modelo que descreve o mercado fitness brasileiro, conciliando a base teórica, a classificação da ACAD e os insights extraídos das entrevistas com especialistas. O material pode ser utilizado como referência para gestores, investidores e pesquisadores da área, fornecendo embasamento para decisões e iniciativas empreendedoras.
O pesquisador utilizou a classificação de tipos de academias estabelecidos pela Associação de Academias do Brasil (ACAD). Fonte da imagem
Segundo o pesquisador, o modelo apresentado pelo trabalho pode fornecer subsídios a empresários que pretendam abrir uma academia ou mesmo reformular as estratégias do seu negócio. “Eles poderão contar com um modelo teórico que discute as particularidades de cada modelo de negócios, oferecendo, assim, sugestões estratégicas mais personalizadas”, afirma.
O trabalho, intitulado “Modelos de negócio das academias brasileiras: um conceito teórico construído por especialistas”, pode ser consultado na íntegra no banco de teses da USP: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/39/39136/tde-16052022-145101/pt-br.php